quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Desabafo Mimético no silêncio amarrado.



Você está nú? Como tem respirado? Você sabe que cheiro exala do seu nariz? Consegue medir qual  o tamanho do "onde você está nisso tudo"?

Ok, Te entendi! Isso é tão real mas tão real!! Que me faço a mesma pergunta...

E o tempo?
Qual o teu espaço no hj?

A gente tem  vivido a era das séries, hoje  me dou por temporadas, algumas vividas, mas somente por agora percebo, a cada marca  a cada tinta a cada cicatriz fica  a vontade de uma reinvenção.

Você  sabe por que está distante? Como isso exite? São anos sem viver em você. São vidas criadas num banho de chuveiro. Luta constante, luta constante com a amenidade de uma paz, de um segredo terreno, telúrico e segregado por uma antes escolha. Me faço a mesma pergunta. Com a simples palavra. Eu? E porque não nós? Relativizando o tempo  em pensamentos ramificados, os chamo de possibilidades, mas  como um navio, âncoras.
Do que é terra, terreno, do que é céu, celeste. E a revolução das antenas espirituais? Essas me bastam? Já a muito percebi que as antenas sumiram. Lembrando que 70% é água.

E os de lá? Deixem os em paz, eles se bastam... Lembre se, você e seu ego. Seja sucinto. Nem vale.

Totalmente embebecido num eu desconhecido, num tempo que não é mais meu, que nunca soube fazer, que deixei  cair, voou de um alto e espalhou se, espero que semeando outros entes ou que me refaça novamente.

Me perdi em mim. A gente é tantos que um desses gritou alto. Não me venha com democracias.

Do que é estabilidade a busca.

Do que é espirito para as antenas.

Do que é sagrado para mim.

Do que sou eu pra você.

Das minhas metades e personas para meu personagem.

Que minhas antenas nunca parem de buscar.

E que meu espírito tenha a sabedoria de um deus dançante.




Um Pausa que agrada...


Suave e doce nicotina, acenda meu cigarro...

 Dos livros na janela, dos sapatos na porta, das baratas e vassouras, o que se come pelo chão e dos sorrisos a toa. Do tudo e tudo mais....
Do que mais nada importa se eu sou teu agora. Esse calor  faz eu me escorregar pelo corpo, por ai.
Do cara mais engraçado, do que é novidade, do que se basta, do menino por si só.
A luz a meia luz e o silêncio extravagante de um gemido bom.


De um pouco de nós dois e do restante pesado de mim...

Do filtro nosso de cada dia.
Desses papéis.
Do que sou eu.

Do que nem sei, do que será.

Quero ir embora, mas prometo deixar: A luz mais fraca acesa, uns rabiscos na parede  e em você, uma fumaça cheirosa, uma reza, a saudade, o nome,  tudo que já entreguei ao mundo, aquilo que não chamo mais de meu.
Observando...
Estou num lugar alto.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A Visita



Tá, jah é, tu é foda nega.
Fazendo de tudo pra entrar na minha vida. De novo?

Cê Acha que eu num me liguei no teu jogo?
Fez visita, mostrou foto, falou de vida, caminhos, eixo, trilhos..
Contou várias estórias  fofas, fodas, dos nossos filhos..
Pow, pow mó saudade...
Sabe que disso sempre me queixei de verdade, ponto fraco.
Lembrar dos nossos moleques brincando,
correndo, sempre me abalo, Fico sisudo, tipo chato, vai vendo..



(uhm que café bom! É do que eu comprei, orgânico?) Sim..

Mas, fala tu, diz ai? O que mesmo te trouxe aqui?
Gostou da casa nova? maneira né?
lá traz ta em obra, logo  vai formar uma caxanga foda.

Acende aí um incenso, um beck e me responde,
Cade aquele valete que  tu pensou que ia chamar de teu homem?
Tu sabe que ninguém, pra tu, vai ser quem eu fui,
ih relaxa, podem vir vários que ficarão pra trás,
desse lugar eu não caio mais,
se fosse esperta me assumiria, então
pára de se enganar,gata e fica na ativa.

(que isso gatinho? ta nervoso?)

Foi mal a prepotência ou arrogância, não me dou bem com a lembrança se há
uma ervilha no colchão, tipo daquela tua estória, daquele livro na estante,
da tua tia, empoeirado do lado do meu de fotografia,
Que tu me deu de presente naquele nosso dia.

(De boa nego, vim aqui, deu saudade, queria te ver de novo)

To ligado, saquei tua maldade, mais cedo ou mais tarde te encontraria,
essa cidade é um ovo.
seis meses atrás você quebrou minha casa toda dizendo que não voltava mais,
brigona marrenta, sempre foi dominadora.
Foi embora e era inverno, mó friaca,
num quis nem ouvir as minhas jurar de amor eterno
Foi e até agora não voltou,
tipo, pra comprar cigarros, nem ligo.
E olha que eu te conhecia desdos 15 anos, adolescente cheio de espinha,
mas comigo formava vários planos,
até teve uma vez que você falou em gravidez,
coisa de perder a lucidez,
parceiro,fiquei bolado, nova,nova,
já querendo um bacuri do lado.
Foda -se amarradão segui em frente.
Inconsequente, nossos pais são meio ausentes,
antes uns conselhos pra gente.


E quando crescemos de dois, viramos nós três,
mas depois com o segundo, paranoia, várias crises,
sumiu e agora eu só penso em vocês.
E os vizinhos de disse me disse.
A favela já falando que insistir no erro é burrice,
melhor que tu ouvisse e logo sumisse.
Deixasse de criancice, de historinha de modelo e miss.

Aham, já é, Mas a vizinha fofoqueira e chata além disso,
te explanou que eu parei com esse papo de ficar consumindo pó,
to legal, to tranquilo, já me sinto melhor.
Só não entrei pra igreja por que não entendo nada de Matheus, Judas ou Jó;
mas sei que de um desse Jesus, amigo não era o melhor

E com clima formando, Olho no olho, tu sem graça pergunta "onde é o banheiro?"
Eu malandramente te agarro e te robo logo beijo,
mão na cintura, com meu rosto, um carinho do ombro ao queixo.
saudade é foda, senti sua pele e já arrepiei inteiro,
abraçado te prometo,
já to tranquilo, limpo, e um trampo essa semana eu vejo.

Uma bela visita que esperava meses,
já que voltou, vê se aparece um dia desses
Pois a vida seguiu mostrando que o destino fez -se
e lá em casa tranquilão, fechamo em quatro,
eu e minha velha embaixo na casa, e os moleques no puxado
e agora meio coroa, quando falo do passado..(risos)
Ouço ela cantar do quarto...




(Refrão)Que foi aquele jeito apressado de querer vencer
Quase nos deixou mal

Mas nada há de abalar nossos planos
Você vai ver que com o passar dos anos
O que falta pra nossa felicidade
Jah vai providenciar, Jah vai providenciar










quarta-feira, 24 de abril de 2013

A morte do Tarô




Hoje o mundo é verde. Verde meu coração,
Se me faço desatendo, ora saiba quero não.

Admito que perdi, doce e bruta conclusão
Relento frio, que refaz, bruta essa união (quereres).

Seja Odara, ou algo em flor. Vida, uma breve questão de existência. Toda marcada por um sei não.

De lactobacilos a maduros vacilos tanto faz ser homem se nem sei onde é sertão. E se esse mundo eterno chora? Tento uma dessas tais soluções.  
E qual dessas covas estas? É o lírico que tiraste em vida.
A culpa não é do tento, nem do desatento. Assumo essa. E se é minha ponho em mim.
Partilha tua partida. Joga ao mundo o que te pena. Defesa tua e o que interessa.

Oh, e agora tu? Mais eu!

Pobre de nós que nem sabemos nos ouvir... Que nunca soubemos, que de fim fizemos. Corda roemos.

Sorriso no olho, não sei que é carinho. Não plantei nada sozinho, mas reguei tudo direito. E os três meses de prisão,  cresceu numa invernada. Já tarde. Tipo sereno que de tão leve espeta a carne.

Isso arde sabia? Dói feito surra de araçá...

Fale desse gosto doce e amargo que mata a gente mais que arroz pra pombo e prende pardal feito visgo de jaca no capim.
Fale dessa delicada vida só que não, e de todos os seus outros hastags só que sim!

Me põe no seu colo e ponha-se a chorar.
Ora senhora, Minha.
Os pecados e o maxixe não se faz a mil, se faz a um de dois num. E agora como vou dançar o maxixe nesse choro, chorinho, chorado. Errei Inocente.

Vamos chamar o tempo! Vamos correr dele, contra ele! Ah, audaz e petulante tempo, estou à espera de uma nova morte. A do tarô.

Recrie suas essências, misture um novo cheiro.
Se partido é bom, imagina tu inteiro.
Faça do teu ego uma mandala budista. E seja mais simplista. 
Ou algo de natureza mista... 
E se der errado, põe um fone, chora, e vai dar um role na pista.

Apruma teu peito e acalma-te. Oh alma. Queira ou não.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Lapa

Que corpo é esse?
Tange ruas. Sarjetas.
Marcas e lutas, biomecânica apta.
Vagabundo. Educado e oportuno. Abençoado, amada, amado.

Carvão e tela, movimento e capoeira, Rio antigo e presente.
Corre ágil, de malandro solto, de malandro filho.
Que energia é essa? Te vejo e me vê. Quem pensa o quê?
Você teme?

Intercostais, seu nome é fome.. Casa e medo.. Dor fugida.
Estupro. Vida. Rio de tudo, Sorri do alto, vendo toda igual e indiferente gente.
 Homo-massa, embriagada.
Sem-pernas do presente, teu destino é vôo. Sem asas.. Aqueduto...
Em menos de um segundo. Chão!

Mas... Sofrer? Dizem que esta melhor agora.

Afinal é carnaval... Morre mais um Orfeu.

Choro só nas cinzas, e de quarta-feira se fez fumaça.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Pseudo falso apreço

''As pessoas não são más, mano, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.''

E agora você reza? Lesa! Vela!
Finado egoismo no teu comum marxismo.
E tu vem me dizer que já era,
que num vale mais chorar nem procurar por ela. Ih, sequela!

E se tudo virar pó, dizem que nine-nine é melhor.
 No quadrado, 1/4 vira cubo, brilha... Gigante bilha.
Um balão que nasce, morre. No céu flama.
Grande olho que te ama.
Eterno.

Ter consciência e ver deus morrer de longe
saber o que é melhor pra você, te entender
conhecer sagazmente cada milimetro do seu ser
Sou Eu! Pode crer!

Nem tudo fica claro, ambos olhos embaçados
variados.
Julga, xinga, luta, foge toda a conduta e diz que tem ego na disputa. Ah..Não!
É como uma segunda pele que troca, cobra, cobra. Renovação.

Quando falo de intuição, digo porque tenho feeling,
sensação, sentimento, "ta vendo".
Num digo que tenho razão, sigo  "The fucking" coração
de ação, pra ação, vou vendado, poéticamente ligado,
sem saber direito o que acontece do lado,
sei que nisso há algo errado.
Sei do equilíbrio ébrio mal educado.
Simples assim... Ingenuo e malvado.

E o agora? Jamais, sagaz.
 E o que é de bom fica pra traz
saudade boa que num volta mais.
Teu corpo dança em outra vida.
Espero que seja tua, nua.
Artista deprimida, subvertida  e de amor aprendi que antes fora do que não mais saída.
Querer bem de longe, sem saber pra onde, se esconde, vai vendo,
sumi de mim no mundo e jaz o tempo que não foi ontem.

Espirito é mais que isso
Amor é deus, é compromisso
Mesmo omisso, se prende e mais ainda desiste, covarde, tem seus porquês mas agora é tarde.

domingo, 16 de setembro de 2012

VAPOR!




Mundo meu. Espelho d´água, a pedra, respinga... Vapor!


Entre o que tenho e o entre esperado. Você sabe onde estou? Te pergunto. Agora no último ponto de um imenso mandamento, lugar meu. Não mais espero dentro. Isso acabara. Ao ver novamente de fora o que guardo, carrego e aprendi que é pra sempre, acredito que mesmo inventado, adorar não concretiza. E por fim , findado esse inacabado.


E dessa singular nudez não castigada, saudades dos nus, nós. Falho argumento que prende, corpo só, não faz verão, só suor, e quanto, tanto, muito... Sexo! Vapor!


O agora, refeita... Ah, Cheiro bom novamente, mas como? Tipo uma sopa primordial de nós, mas como? Quem foi que te ensinou a rezar? E se ele te enlouquecer, e se deus for sua loucura? Tudo que acredita, blasfêmia? Luz! Última luz.



Palafitas, casa de índio, pau a pique, uma casa de luz para sobreviver. A vida que vai, ESVAI. Pode ser a gota D´água de um vapor antes condensado.





sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Reticências: Esperando o entre.

Espero... Sempre em vão, sou ansioso e ponto. Ponto. Ponto. Se juntar os pedaços do dilacerado texto que pensou, não me vejo; continuo o mesmo velho cego, preso as lembranças idealizadas.

Momento de repensar, ver de longe é querer ser perto, já sabido, o agora simplesmente delira em abraços partidos, ou cerrados. "Te espero em casa... Porque demorou?..."

Reticências: Algo que termina, ou aguarda o começar. Onde está? Quem é esse transitório momento? Identificado seja o vosso nome!

Me esperando chegar, sempre esperando, Absorvo o leve; O denso, talvez saiba, não me apetece, relevo e num paradoxo caminho a esperar. Vida Limiar da morte, ou versa.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Alzheimer


Outro dia, um dia desses.... Começa outra vez... Confusão e euforia triste.

Sinta medo de viver seu passado. O gueto, um padre, seu juiz... Calor e fogo.

Seria cíclico? Ou reação em cadeia? Será que essa perturbação oscilante de decassílabas fônicas se exprime no contraste entre alegria e pavor da escuridão?

Como "se" chamava eu naquela época? Alzheimer, sou velho para lembrar, está na palma, mas deixa pra lá, estou cego demais para ler o bilhete entre folhas de um livro antigo. Livro esse que guarda o segredo de Victória, cheira a pêra.

Lindo! Estou sorrindo, aqui o ar é fresco, estou morto, me vejo de longe, sentado em um parapeito, caminho feliz. Será que sou frio com dizem? Investigo-me, converso com meu inconsciente, o conjunto dos processos mentais que se desenvolvem sem intervenção da consciência, enlouqueço, meus cabelos caem de estresse... Não há frio, nem calor, nem eu..." socorro! Alguém me dê um coração..." Amor platônico, conceito de abstrato, como Camões.

Simplesmente desapareço, de mim, de você, de nós, se nem sequer saber quem eu sou agora.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Onde estará Pedro?


Antes da matéria... O divino dom inatingível de ser capaz. Com paciência me retrato a mim. Nada de muito, somente esperar, ativamente.

Pequena cidade, morando dentro de uma nuvem. Não ouço mais sirenes, as paredes não são quentes. Digo-lhes, frio! Calor aqui,vem de outra forma, digo-lhes, poros. O meu que é, confina se em si mesmo. Mais um pulmão, peste cinzenta recolhido em busca de cura.
A rua. Um menino... Bicicleta azul... Antes um barco de papel, tudo já afirmado. Os três meses ou menos, sabido. Elementais seres. Na beira do mar, rosinha,vento, vestido de chita, espera Pedro, o menino da bicicleta azul. Nada pode fazer a num ser esperar.
Foi ele, a procura de respeito. Não achou nada sensível, mas bem soube escolher. Trouxe esmola, um viés de felicidades e uma capa de ilusão. Fez figuras, transformou-se em armaduras, teve estórias para esconder.
O tal pedro, voltou antes por acaso, um amor mal acabado e um deus sol como um sinal, insight espiritual... Hoje chora, vendo a vida que melhora e vai mudando devagar. Vê-se longe, uma casa, um menino, uma chita pendurada no varal.

E antes da matéria, o espirito, Santo divino que é meu! Onde estará Pedro?

terça-feira, 22 de março de 2011

Uma vez um AMIGO muito querido me disse...

I
Antes de partir pergunta
a folha que precisa no teu banho
e três goles antes de entornar.

Antes de partir pede
a bença àquela árvore
onde tu gostava de brincar.

Não te esquece das contas.
Entrega quanto puder
a quem possa lhe ajudar.

Antes de chegar pede
licença ao caminho por onde
e ao dono da mata, saravá.

Antes de chegar anda
por ali tudo, até saber como.
Escuta teus passos, pisa devagar.

Então diz (a quem já sabe)
aquilo que te traz e atende
aos dizeres que o vento soprar.

.

II
Se demandarem contigo
respira, pensa no coro cantar.
Deixa o orgulho fora da ingoma

que tudo lhe há de convir
e tu será bem lembrado
debaixo das árvores de lá.

As tuas palavras, nenhuma das minhas, só um breve e firme obrigado, como um aperto de mão emocionado de olho no olho.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Amnésia


Vi um filme. Silêncio. Que filme? Não sei, não sou desses... Tenho medo de não saber mais ver filmes.

Agora é já. Em dado momento, existe um outro lugar, desejo meu. As metas: Ouvir um sino de pescoço de bode, seguir adiante. E as ogivas de felicidade? Não sei mais dessas, talvez no fim do ano, será um inferno astral? Não! O certo é uma ausência que vira busca, por isso vou, porque preciso.

Chega a ser clichê, mas abro os olhos, os mesmos olhos que teimam em ser objetivas, poéticas lentes, olho a volta, a única coisa que sei é que não lembro de nada, perdi a memória, paro e sinto. Baixa estatura, mulher ruiva. Estranho, me olha como me conhecesse e me da bom dia. Tem filhos, dois. Opa! Não são dela. Existe outra mulher, uns riscos no ombro, eles a chamam de mamãe. Linda mãe por sinal, ela tem um cigarro, o leva a boca lentamente, suave nicotina, traga e me olha com um sorriso escondido na iris, fica claro que somos íntimos o que me deixa mais confuso. Em um tablado, uma cozinha, me pergunto, esse lugar é de quem? Por que estou deitado?

É difícil se entender nos lugares, nas realidades, que são suas por estar ali, mas... Amnésia, você não lembra. Você vive isso? Quando vê, aconteceu.

Abro os olhos novamente, estou em casa. Porque tantas imagens na estante? Não são todas minhas, as conheço exceto uma, um objeto, um pote de cola branca, com um nome bíblico e uma sigla JIII, que talvez a 20 anos atrás conhecesse melhor.

Sala, o balde que guarda a chuva em si, ampara a goteira e a cada gota, ampulheta. O tempo. Olho pra a porta de saída e a seu lado estrategicamente posicionadas as duas coisas mais importantes, minha mala e pendurada na parede descascada, minha cartola. A chuva não para, as gotas... A cartola não esta mais na parede e comigo levo tudo que não lembro. Tudo que não sei quem sou.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Olho-Cine


"...menos que nunca a simples reprodução da realidade consegue dizer algo sobre a realidade. [...]

A verdadeira realidade transformou-se na realidade funcional. " Bertolt Brecht

OLHE, sinta com o perceber o que esta a sua volta. Qual, de infinitas, realidades você se adéqua? Qual o seu parâmetro primeiro a perceber? Uma metarelidade, uma realidade social? Se diga! Que realidades formando uma que é a sua?

Se Vertov idealizou o Cine-Olho como o entendedor das verdades que somente e fielmente é vista pelas lentes. Onde entra as massas que vivem de mentiras, verdades outras. Mudemos então, Olho-Cine, façamos o papel kino-pravda em si. Lutemos por um só direito, o de entendermos qualquer realidade por dentre nossos olhos de cinema, a liberdade de ver-sentir.

Entendamos a percepção ocular como individual, o Olho-Cine é de cada um, sendo normais e aceitáveis as relações interrealidades. Seja qual for o parâmetro real adotado. Saibamos reconhecer as nossas saídas reais, afinal qual a sua realidade?

Lutemos sim, por uma aceitação em essência, do anarcoprocesso cinematográfico.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Pão, maionese e rúcula.


Hoje, dia 27 de dezembro, estou em Lumiar distrito de Nova Friburgo, estou sozinho, o que já é de costume ultimamente. Por ter passado um fim de semana tenso, afinal foi natal, resolvi correr. Embora estivesse chovendo aproveitei o momento de fraqueza dos céus e fui me alongar para este feito, o que não durou nem dois minutos. Estava sem camisa uma bermuda da feirinha e tênis, sabia que faltava algo, foi quando olhei para os meus óculos do Godard (escreva Godard no Google) e pensei: É o que faltava, me protege da possível chuva e da claridade do dia.

Corri em direção ao centro de Lumiar, até um pouco rápido demais para quem não estava aquecido. Desci o asfalto e cheguei ao paralelepípedo, vulgo “paralelo” estava compenetrado e com o pensamento focado a respiração e na saúde, mas com os charmosos óculos do Godard, não tinha corrida que não se rendesse a uma essência cinematográfica. Passei por trás da cidade e fui até a estrada Mury – Lumiar, com a intenção de fazer a “big rosca” indo para Benfica e depois estrada de são Pedro da serra, que é um costume de uns amigos daqui, onde o objetivo é andar e voltar ao mesmo lugar, só para bater papo e observar a natureza. Na entrada pensei que seria melhor me manter no asfalto e não no barro, então segui direto e não entrei, peguei a estrada serra – mar e fui sentido encontros dos rios.

Quando estava por passar no poço da pedra riscada, aquele que o proprietário fechou, decidi por voltar. Como fiz a volta em frente ao cemitério sem parar de correr, de um jeito bem particular, por não saber o certo, cumprimentei respeitosamente seu João caveira e voltei para o centro de Lumiar. A cada carro que passava por mim, embora exausto, mantinha a pose, afinal estava usando meus charmosos óculos do Godard e não queria decepcionar aqueles observadores.

Pronto, cheguei a Lumiar, como estava morto e desidratado fui para a padaria que era o único estabelecimento aberto, achei um roubo cobrar R$ 2,50 em 1,5L de água, mas comprei e com toda a prepotência de quem é saudável, levantei os óculos do Godard a cabeça e bebi da água natural, exaltando em mim um ar de superioridade por estar bebendo água depois de ter feito exercício.

Sentado nas escadas em frente à praça, descansei, sentindo o suor escorrer e de goladas em goladas bebi aproximadamente 1,2L. Ao reparar que a chuva cairia logo, segui meu caminho para casa, sabendo de onde ela viria e que certamente me alcançaria. Foi quando, ainda nos paralelos idealizei um plano, seria um plano fechado , quando as primeiras gotas caíssem em meu rosto seco, desceria os charmosos óculos que se molhariam escondendo e protegendo meus olhos. Perguntei-me, onde está meu caderno de anotações? Será que deveria ter um?

Foi exatamente o que fiz. Quando as primeiras e calmas gotas começaram a cair, senti frio por instantes, meu corpo se arrepiou em seguida me adaptei a temperatura. Caminhando lentamente, confortável por estar tomando aquele banho, lá eu estava com meus tênis, minha bermuda da feirinha, meus charmosos e agora embaçados óculos do Godard e minha garrafa d água que agora pesava mais no estomago do que nas mãos. Era um blazer total, um sentimento de euforia calma, é como se estivesse num filme, ouvia música, sentia a textura da película no meu visionar, enquanto caminhava pelo asfalto depois dos paralelos tudo isso acontecia; as pessoas com seus exuberantes guarda-chuvas transitavam com uma pressa que ali, não me contaminaria, estava em êxtase.

Aquele estado se manteve, mas cheguei ao topo da ladeira, foi como acordar de um sonho bom, a vitrola parou de tocar, senti uma contração visceral, foi súbito. O sonho acabou e eu só me perguntava: Será que vai dar tempo? Lembrei de uns vídeos de internet onde acontece o mesmo com algumas pessoas; quando percebi que não daria tempo, comecei a correr, e se antes corria por prazer agora era por desespero. Com os óculos embaçados não enxergava muito, a todo o momento pensava na frase “—Não desiste soldado, não desiste!”

Entrei na rua onde moro, não enxergava nada, o filme acabara ali, tirei os charmosos óculos, na situação em que me encontrava, não mais os queria. Corri o máximo que pude, pegando um atalho pela mata. Com a mesma frase na cabeça subi a rua, pensando: No mínimo, que seja dentro de casa.

Abri o portão, faltava a porta de casa. Chegando à varanda instintivamente, como não precisaria dela naquele momento, minha mão soltou a garrafa d água, peguei a chave no lugar secreto e em um desespero decisivo entrei em casa chegando ao meu objetivo, o banheiro. Estava totalmente ofegante, a endorfina liberada pelo correr de desespero e o alívio de ter me lançado ao vaso me deixaram sim em êxtase. Estando em paz e em casa sentado no meu banheiro, saquei os charmosos óculos do Godard de minha cabeça, pendurei – os na maçaneta da porta e olhando para os óculos molhado de chuva e suor, percebi, o filme acabara aqui.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Misture: V-o-D-k-A & Cointreau



Ismail Xavier, quando falou em seu livro (O discurso cinematográfico) da relação entre a técnica e o conceito de Não - montagem de bazin, pensou assim:

"Quando o fotógrafo, além de apontar a câmera numa certa direção - o que me fornece um determinado campo de visão (operação de enquadramento), devo regular a máquina de modo a obter uma imagem nítida do objeto que me interessa. Isso corresponde à focalização, ou colocação do objeto “em foco”. Tudo o que aparece sem contorno definidos na fotografia obtida é dito “ fora de foco”. A distância entre a câmera e o objeto de meu interesse é o fator básico que comanda a regulagem. Acontece que, quando coloco em foco um objeto localizado a uma certa distância, outros objetos poderão estar presentes no campo de visão da câmera e localizados a distâncias diferentes. O grau de nitidez que os outros objetos vão aparecer depende de uma série de fatores. Num caso extremo, só estará em foco o objeto de meu interesse e aquilo que estiver à mesma distância que ele em relação à câmera. Os outros objetos estarão fora de foco ( sem nitidez). Nesse caso digo que a profundidade de campo é nula. No outro caso extremo, não somente o objeto de meu interesse, mas todos os outros elementos localizados a diferentes distâncias estarão em foco. Aqui, digo que tenho foco infinito (a profundidade de campo é máxima)...

Este fenômeno de profundidade de campo tem sua importância dramática. Tanto em fotografia quanto no cinema ele será responsável por determinar efeitos. A oposição nitidez/não nitidez, que marca uma série de objetos co-presentes numa imagem, traz sua carga semântica. Se todos estão em foco tenho uma imagem diferente da que eu teria se apenas um ou alguns estivessem. Na narração cinematográfica, a manipulação da profundidade de campo é extremamente funcional (seleciona e informa, conota, segrega, reúne, ajuda a organizar o espaço). E ela tem conseqüência no nível da decupagem. Ao mostrar um fato, muitas vezes sou obrigado a usar dois planos e fazer uso da montagem justamente porque é impossível mostrar nitidamente os dois elementos de interesse num mesmo plano simultaneamente. De modo geral, quanto maior a profundidade de campo, maior é a possibilidade de concentrar informações num único plano.

Bazin vai apontar, primeiro, a evolução técnica dos aparelhos e da película sensível, graças aos quais a filmagem tornou – se mais fácil e , graças aos quais tornou – se possível o recurso à profundidade de campo. Ele vai dizer que temos aí um exemplo de como a técnica tem seus reflexos nítidos no nível da linguagem.”

Então eu me pergunto se a disputa entre montagem/ não - montagem deu certo. Claro! O ego humano tem esse poder, as diferenças conceituais são importantes. Valemos-nos dessa "corrida armamentícia" e tecnológica. Somos resultado dessas guerras, passado esse.

Ah! A contemporaneidade, hibridismo conceitual, multidiciplinaridade, deliberação coletiva, autogestão, democratização do saber.

Precisamos dessa miscigenação de idéias e ideais.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

"Do que é o espiríto para as antenas"


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Felicidade capital.




Pare e perceba. Pense na sua via, caminho, pense nos momentos e fragmentos do que chamamos de vida, só nesse plano, pense.

Você está feliz? Está feliz com seu carro novo? Seu novo namorado? Está feliz por ter conseguido o emprego que sempre quis?

E sua nova religião, traz-te paz, certo?

Repare nos demais, olhe a volta... Tanta gente fazendo o que gosta, ou o que não gosta, mais querendo sua luz no fim... Eles são felizes?

E se de repente nos vermos velhos, velhos demais pra perceber que já fomos engolidos pela vontade de sermos felizes, ambição humana, bonita, barata e digna. O que vai fazer? Vai ver o filme Into the Wild e se emocionar? Vai ter vontade de fugir do mundo social dos homens? Vender o seu fusca e correr do país emergente onde habita? Ou vai se vender para a felicidade e comprar - lá, diga - se de passagem, com ou sem dinheiro.

Chega a ser engraçado, irônico talvez. Não podemos fazer nada, vamos continuar vivendo, e alimentando nossos fomentos à salvação feliz, por mais que tentamos nos alternar seremos apenas alternativos. E não ache que a morte facilitaria tudo, você seria apenas um suicida.

A busca é o instinto, não há saída para novos hábitos, ou talvez alguém saiba desse lugar, um anjo, um deus? Mas acho que nem esses.

Veja você, todo o paradoxo. Sabemos dessa procura, busca instintiva existencial, mas ao mesmo não a nada que façamos para burlar e existir de outra forma, então renda - se. Seja breve, busque a alegria nostálgica e feliz que mais lhe agradar, seja material, carnal, espiritual ou qualquer uma dessas tantas que existem e continuam a inventar.


No sé, es lo que queremos saber, no sé.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Moderna Manhã


Misture tudo! Percebo esse labirinto laborioso e interessante. Vida. Moderno o meu Nescafé da manhã, amargo esse.

E essa ansiedade? Traz-te náusea? - A mim, sim.

Cadê essa gente? Cadê aquela outra mulher? Esse fomento necessário para que se queime, onde está?

- Não fumo mais alecrim, só por essas manhãs primaveris.

A insegurança toda é minha por agora. Cante! Feche os olhos e cante. Isso basta. As letras serão rabiscadas, verá.

- É muito egocentrismo pensar em si?

Ontem vi morrer um homem, seus dois últimos gemidos, um comentário infame e depois sua ida. Indignação indigente.

-Nunca serei mais importante, nunca, eu sou ele ali, morto.

FECHA A PORTA...

...

Só queria ir também.

Vida moderna.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amálgama do ser


Num estado estranho, um limiar de pensamentos e ambições, um estado estranho. De conforto já me fiz, sei do meu destino eterno.

Em um mundo tão social o que me espanta são as pessoas, pessoas e invenções do ridículo barato.

Certos momentos de movimentos, lugares e fomentos, o transitar.

-Me encanto, como breve, breve, semibreve coisa nenhuma.

Tento entender como funciona isso, momento escuro, que me brota a mente quando fecho os olhos e percebo toda essa corporeidade materialmente transcendente, o desespero frio e ora vazio de saber e sentir um algo mais, porém sem a menor presença intuitiva, sem esclarecer, dessa coisa que me sobressalta o estado, inconsciente consciente.

Hoje lembrei de uma voz brincante de alguns meses atrás, não fiz sequer esforço, a lembrança veio tão rápido quanto foi, causou uma leve e monótona angústia, mas se de eternidade me faço, me faço de passado, me fortaleço.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Redenção de luz


Senhores boa noite! Queremos saber... Queremos saber dos nossos sonhos, do exacerbado pensamento que era meu... De tudo que vivi entre dez a cinco anos atrás... fecho os olhos, não vim da escuridão, mas sei, aqui é muito claro, fico cego! Sei dessa sabedoria imensa que nos inunda nesse momento em que me desdobro, sei e entendo essa iluminação inexorável. Mas se posso voar, quero ser livre desse destino a redenção, quero o todo, quero escolher... Faço valer em clareza a eternidade que nos é presente, sei do meu lugar aqui, mas quero exaltar as dimensões.

O que me cabe? Por que não saber disso me faz integro, digno? As explicações?... Guarde - as, sorrio em dizer que sei tudo, sinto um cheiro agora. Eternidade já!

As cores do seu lápis é você que clama. O que importa agora, é que somos seres nesse mundo que se dá de narrativas lineares... respire e escolha boas cores...




sexta-feira, 23 de julho de 2010

Sorrio. Dissolvo-me nessa água. Em um leito apertado e aconchegante me encolho, por favor, não me toque, sou forte agora... Mas esse amor, os seus olhos não vêem meu amor?O que é belo? O amor é belo? Singelo? Me diz!!! Talvez não exista nada radiante em mim... Sei que existe, mas talvez o saber não me explique o porquê desse latente... Dessa coisa que mete medo... Nossa! Me resta rir. Dar risada e rir, dessas bobagens...

Descobri que o importante é a eternidade nada cronológica. O tudo já é o tudo antes mesmo de você pensar. É sutil, jogue no vento, assopre! O final é seu, O final é certo!

Cansei da antero/retro versão... Hoje sou um poço de castidade no mar de Afrodite.