segunda-feira, 24 de maio de 2010

Lab


- sinto que estou juntando minhas coisinhas.

-A Polaroid que me tem, por logo saíra da cabeça. E camadas por camadas desse pensamento, flui, se esvai. - Por fim? O pouco que me cabe, a leve sensação... Sinto que a busca se faz presente à procura de um estado de espírito ideal.

- A fotografia, o retratista, sua língua... A foto que antes lambuzada, alegre e entregue, hoje nem por sonho, sonho mais, e num processo inverso desaparece, fico nu. “agora só resta uma foto que o retratista tirou..."

- Toda chuva santa, lava, limpa ilude e acalma. Da morte, tudo se renova. Chega dos benfazejos, dos que servem para o acalanto da alma. Não há mais falta de visão, nem ensaios do que se foi e como será. O agora, o instante já, dito por outra, é sutil, minucioso, é delicado, por si vale a dedicação. “Diz-me então quem é essa nova mulher. Você sabe como ela é?" sinto sede de seus olhos e me entrego, quero , por mais que fisgue a dor, quero. Não só disso vive o homem. Mas quero! Quase não tenho mais medo do escuro.

- A fotografia, o retratista, sua língua... A foto que antes lambuzada, alegre e entregue, hoje nem por sonho, sonho mais, e num processo inverso desaparece, fico nu. Um homem nu não fica nu por tempo algum, as coisas se transformam, e antes, do frio que sentia resta calor, e um olho que intriga com uma voz que não é desse lugar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Coando café


Filtros de papel, já não junto mais.

As poucas coisinhas que me restam, logo não restarão.

O triste é saber do engano, da árvore linda dentro negra que é o ébano.

O que incomoda, foi o favor... Obrigada sou feliz agora. Já era hora.

A doação travestida de nada, puta a beira da calçada.

Ódio, amor, opostos se misturam , tem dias.

Do fim não rio, muito menos sorrio, não choro sou homem , homem não chora, dizem.

Do fim trago incapacidade, impotência, deslealdade.

Dor bastarda... De filho não meu. De Copas Fora.

A leve sensação do brilho que a mente não lembra.

A morada vazia, como espirituosidade que não me sobra.

A pele, a roupa, o cheiro, o pensamento por inteiro.



Olhos nos olhos quero ver o que você faz.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

São 10 da manhã de um domingo esquisito. Uma sensação de nada, nem vazio nem cheio, nem bom ou ruim, será que é dormência? Ou uma boa de uma falta de sensação? Aos poucos, a casa feliz que incomodara durante tempos a vizinhança, vai ficando vazia. E a cada peça que não está mais nesse velho tabuleiro,a cada peça que não esbarrarei mais nesses corredores, me deixará ouvir o que nunca ouvira, incluindo alguns de meus silêncios. Daqui uns tempos, uns dias, gritarão ecos, gritos, ruídos, gemidos e passos que por aqui não estarão mais. Não estarão! Não quero sentir medo. Não quero viver de ecos, mas tenho medo sim. É paralisante ter que desconstruir em fração de segundos a disposição de toda a minha mobília. Replanejar tantos espaços vazios. Sem conseguir enxergar uma mobília que se adeque que tenha a verdadeira alma daqui. Que eu ame, assim como a mobília que era minha, cada milímetro de sua imperfeição. É assustador olhar pros lados, ver o vazio e sentir solidão. Derreter sentimentos meus, meus, sensações minhas, sonhos meus! Ter que pensar em sentar no chão de uma nova casa. Respirar fundo achando que devo me reconstruir sem ter comigo minha trouxinha das coisas mais importantes da vida, de coisas mais importantes da minha vida. O mais violento de tudo o que pode me abraçar, é vagar por esses cômodos sem mobílias, pisar nesse chão tão vazio e encontrar com a maioria de meus sonhos se desfazendo em câmera lenta de uma forma desleal, crua e não ter vontade alguma de dormir sozinho no chão.


Ana notaroberto