
Hoje o mundo é verde. Verde meu coração,
Pobre de nós que nem sabemos nos ouvir... Que nunca soubemos, que de fim fizemos. Corda roemos.
Fale dessa delicada vida só que não, e de todos os seus outros hastags só que sim!


Espero... Sempre em vão, sou ansioso e ponto. Ponto. Ponto. Se juntar os pedaços do dilacerado texto que pensou, não me vejo; continuo o mesmo velho cego, preso as lembranças idealizadas.
Outro dia, um dia desses.... Começa outra vez... Confusão e euforia triste.
Sinta medo de viver seu passado. O gueto, um padre, seu juiz... Calor e fogo.
Seria cíclico? Ou reação em cadeia? Será que essa perturbação oscilante de decassílabas fônicas se exprime no contraste entre alegria e pavor da escuridão?
Como "se" chamava eu naquela época? Alzheimer, sou velho para lembrar, está na palma, mas deixa pra lá, estou cego demais para ler o bilhete entre folhas de um livro antigo. Livro esse que guarda o segredo de Victória, cheira a pêra.
Lindo! Estou sorrindo, aqui o ar é fresco, estou morto, me vejo de longe, sentado em um parapeito, caminho feliz. Será que sou frio com dizem? Investigo-me, converso com meu inconsciente, o conjunto dos processos mentais que se desenvolvem sem intervenção da consciência, enlouqueço, meus cabelos caem de estresse... Não há frio, nem calor, nem eu..." socorro! Alguém me dê um coração..." Amor platônico, conceito de abstrato, como Camões.
Simplesmente desapareço, de mim, de você, de nós, se nem sequer saber quem eu sou agora.
Antes de partir pede
a bença àquela árvore
onde tu gostava de brincar.
Não te esquece das contas.
Entrega quanto puder
a quem possa lhe ajudar.
Antes de chegar pede
licença ao caminho por onde
e ao dono da mata, saravá.
Antes de chegar anda
por ali tudo, até saber como.
Escuta teus passos, pisa devagar.
Então diz (a quem já sabe)
aquilo que te traz e atende
aos dizeres que o vento soprar.
.
II
Se demandarem contigo
respira, pensa no coro cantar.
Deixa o orgulho fora da ingoma
que tudo lhe há de convir
e tu será bem lembrado
debaixo das árvores de lá.
As tuas palavras, nenhuma das minhas, só um breve e firme obrigado, como um aperto de mão emocionado de olho no olho.

Vi um filme. Silêncio. Que filme? Não sei, não sou desses... Tenho medo de não saber mais ver filmes.
Agora é já. Em dado momento, existe um outro lugar, desejo meu. As metas: Ouvir um sino de pescoço de bode, seguir adiante. E as ogivas de felicidade? Não sei mais dessas, talvez no fim do ano, será um inferno astral? Não! O certo é uma ausência que vira busca, por isso vou, porque preciso.
Chega a ser clichê, mas abro os olhos, os mesmos olhos que teimam em ser objetivas, poéticas lentes, olho a volta, a única coisa que sei é que não lembro de nada, perdi a memória, paro e sinto. Baixa estatura, mulher ruiva. Estranho, me olha como me conhecesse e me da bom dia. Tem filhos, dois. Opa! Não são dela. Existe outra mulher, uns riscos no ombro, eles a chamam de mamãe. Linda mãe por sinal, ela tem um cigarro, o leva a boca lentamente, suave nicotina, traga e me olha com um sorriso escondido na iris, fica claro que somos íntimos o que me deixa mais confuso. Em um tablado, uma cozinha, me pergunto, esse lugar é de quem? Por que estou deitado?
É difícil se entender nos lugares, nas realidades, que são suas por estar ali, mas... Amnésia, você não lembra. Você vive isso? Quando vê, aconteceu.
Abro os olhos novamente, estou em casa. Porque tantas imagens na estante? Não são todas minhas, as conheço exceto uma, um objeto, um pote de cola branca, com um nome bíblico e uma sigla JIII, que talvez a 20 anos atrás conhecesse melhor.
Sala, o balde que guarda a chuva em si, ampara a goteira e a cada gota, ampulheta. O tempo. Olho pra a porta de saída e a seu lado estrategicamente posicionadas as duas coisas mais importantes, minha mala e pendurada na parede descascada, minha cartola. A chuva não para, as gotas... A cartola não esta mais na parede e comigo levo tudo que não lembro. Tudo que não sei quem sou.

A verdadeira realidade transformou-se na realidade funcional. " Bertolt Brecht
OLHE, sinta com o perceber o que esta a sua volta. Qual, de infinitas, realidades você se adéqua? Qual o seu parâmetro primeiro a perceber? Uma metarelidade, uma realidade social? Se diga! Que realidades formando uma que é a sua?
Se Vertov idealizou o Cine-Olho como o entendedor das verdades que somente e fielmente é vista pelas lentes. Onde entra as massas que vivem de mentiras, verdades outras. Mudemos então, Olho-Cine, façamos o papel kino-pravda em si. Lutemos por um só direito, o de entendermos qualquer realidade por dentre nossos olhos de cinema, a liberdade de ver-sentir.
Entendamos a percepção ocular como individual, o Olho-Cine é de cada um, sendo normais e aceitáveis as relações interrealidades. Seja qual for o parâmetro real adotado. Saibamos reconhecer as nossas saídas reais, afinal qual a sua realidade?
Lutemos sim, por uma aceitação em essência, do anarcoprocesso cinematográfico.